O Veneno


O rapaz comprou um esmeril, pintou uma placa caprichada e inaugurou seu próprio negócio: "AMOLO ALICATES".

 

O vizinho, gozador, logo abriu concorrência com uma versão incrementada da mesma prestação de serviço: "ENERVO CUTELOS, ABORREÇO FACÕES E IRRITO TESOURAS".



Escrito por Karla Lima às 02h11
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Quando publiquei o texto abaixo, faltava-me uma informação fundamental de que, infelizmente, só tomei conhecimento hoje.

Espero que me sirva de lição: uma estudante de Jornalismo deveria reunir muitos mais dados do que eu fiz, antes de opinar sobre o que quer que seja – ainda que num blog.

A informação é esta: os dinamarqueses são xenófobos à beça!

Na página A12 da Folha de S. Paulo de hoje, está a reprodução de um texto originalmente publicado no Le Monde por Olivier Truc, no qual nos ensina que, desde a década de 90, a política nacional da Dinamarca é pautada pelo Partido do Povo Dinamarquês, em cujo programa lê-se: "O Partido do Povo Dinamarquês não aceita que a Dinamarca se transforme em uma sociedade multiétnica."

Assim, embora continue defendendo a publicação da charge sob os mesmos argumentos listados anteriormente, sinto-me envergonhada de não ter feito essa ressalva: a publicação do que quer que seja é permitida, desde que a inteção do autor não seja, prévia e deliberadamente, agredir. Poesia, cartunismo, discurso oral, artigo opinativo, propaganda e todas as outras modalidades de registro comunicacional podem ser divergentes, antagônicas, provocadoras e discordantes. Disso se alimenta a troca de idéias e, em alguns casos, a evolução da humanidade. Mas nenhuma pode ser instrumento consciente de eugenia!

Rodolpho: devo um pedido oficial de desculpas a você – que morou lá e tentou me alertar...



Escrito por Karla Lima às 17h01
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Muito tempo atrás, um chefe me demitiu sob a alegação de que eu fazia com que as pessoas se sentissem burras.

Primeiro, achei uma graça irresistível naquele elogio travestido de crítica. Passados seis anos, concluo que não tenho mesmo jeito com quem perde meia hora todas as manhãs, e passa o resto do dia procurando.



Escrito por Karla Lima às 01h34
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As boas idéias entram pelo nariz.

Naturalmente não é coincidência o fato de "inalar" e "ter idéias valiosas" responderem ambos pelo nome de INSPIRAÇÃO.

Mas é claro que todo mundo sabe disso – desculpem a obviedade do registro.

 



Escrito por Karla Lima às 00h34
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Enquanto, ao debate de idéias de um lado, houver do outro o risco de uma reação física – ou seja, enquanto em resposta à palavra houver possibilidade de atitude agressiva – estamos fadados a nos calar diante da intransigência. E não só religiosa.

Milito pela liberdade de expressão e acho que são legítimas todas as sátiras, incluindo as que me atingem pessoalmente. Qualquer traço de voltairismo não é mera coincidência.

Embora considere de mau gosto, defendo o direito à existência de piadas sobre anões judeus, portugueses mancos, negros gagos, sapatonas vingativas, deficientes mentais que babam. Assim como, arriscando-me à rejeição do interlocutor, acredito no meu direito de fazer chacota de astrólogos, fashion victims, consumistas desenfreados, peruas que escrevem poesia e hare krishnas expansionistas.

Sou favorável à publicação da polêmica charge e acho que, ao tornarmos a religião um assunto humoristicamente intocável, estamos nos curvando ao fanatismo, reforçando a intolerância e legitimando o silêncio que nos querem impor os dogmáticos.

Como, infelizmente, a quem faltam argumentos sobram ignorância e valentia, caminhamos para uma situação em que fica intimidada qualquer expressão de opinião divergente.

Ameaçados de captura violenta, tortura bárbara e morte súbita, os discordantes silenciamos – e, igualmente grave, contribuímos para a diminuição da troca de idéias e com a morte do humor.



Escrito por Karla Lima às 20h22
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Aprendi com muito custo a suportar apresentações em que a moça dizia "sou modelo e atriz".

Ainda não sei como sobreviver a uma boca esticada (por plástica e pelo movimento ameaçador de me beijar) dizendo "sou astróloga e faço poesia".



Escrito por Karla Lima às 14h17
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E mal sustentada por um prego dizia a placa pendurada na fachada da modesta borracharia do matuto:

"Recabela-se pneus".



Escrito por Karla Lima às 01h52
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